Erick Musso / Ex-presidente da ALES
Este artigo busca trazer à tona um debate muitas vezes evitado nos círculos políticos, culturais e institucionais do Brasil: o crescente processo de deslegitimação da fé evangélica como parte do tecido civilizacional do Ocidente contemporâneo.
Muitas das vezes as elites ocidentais — políticas, acadêmicas e culturais — passaram a promover uma narrativa de autodepreciação contínua, colocando em julgamento os pilares que sustentaram as democracias liberais e os valores que permitiram séculos de avanços sociais, científicos e éticos. Isso inclui:
A desvalorização da cultura ocidental como um todo;
O repúdio sistemático à tradição judaico-cristã;
A tentativa de apagar símbolos religiosos do espaço público;
O culto à culpa histórica seletiva.
No Brasil, essa “guerra cultural” se manifesta de forma ainda mais específica: com a demonização seletiva da fé evangélica, enquanto outras crenças e cosmovisões são tratadas com reverência, apoio institucional e blindagem midiática.
A evangelicofobia e seus agentes silenciosos
A perseguição contra evangélicos no Brasil não se dá por violência física, mas sim por desqualificação simbólica, caricaturização e tentativas de exclusão do debate público. Entre as formas mais comuns de evangelicofobia institucional, destacam-se:
Associar a fé evangélica exclusivamente a fanatismo, ignorância ou atraso moral;
Excluir lideranças evangélicas de espaços decisórios sob o pretexto de “laicidade” mal interpretada;
Permitir que humoristas, influenciadores e educadores ridicularizem elementos centrais da fé evangélica sem qualquer consequência, enquanto impõem limites severos para críticas a outras crenças;
Reduzir o papel das igrejas evangélicas ao assistencialismo informal, negando seu valor civilizacional, ético e comunitário.
O paradoxo do laicismo seletivo
No discurso oficial de muitas instituições, a palavra “Estado Laico” é usada como escudo para afastar qualquer influência cristã do debate público. No entanto, o que se observa é um laicismo seletivo, que:
Silencia expressões da fé cristã no espaço público;
Censura professores cristãos em escolas, mas tolera ideologias antirreligiosas travestidas de ciência ou progresso.
A laicidade republicana não significa perseguição à religião, mas igualdade de tratamento e garantia de liberdade religiosa plena. Qualquer projeto de modernidade que rebaixe ou expulse a fé cristã de seus fundamentos está fadado à erosão moral e social, como já se vê na Europa em colapso cultural.
Por que a fé evangélica incomoda?
A fé evangélica é viva, mobilizadora, baseada em princípios imutáveis e atua nos bairros onde o Estado falha. Ela não negocia valores centrais como vida, família, integridade e responsabilidade pessoal. Isso incomoda os aparelhos culturais que preferem massas anestesiadas por relativismos.
Além disso:
Igrejas evangélicas geram capital social, mobilização comunitária e disciplina moral — valores que desafiam a desordem cultural promovida por setores progressistas radicais;
A presença da fé no cotidiano popular é uma barreira natural ao avanço de agendas ideológicas desconectadas da realidade brasileira;
Evangélicos têm se organizado politicamente — e isso provoca resistência de elites acostumadas ao monopólio da narrativa.
Defesa da fé
A denúncia da marginalização evangélica não se trata de defender teocracias ou impor dogmas à sociedade, mas sim de:
Exigir o mesmo respeito que se concede a outras tradições religiosas;
Garantir liberdade de expressão também aos que professam valores cristãos;
Reconhecer o papel histórico e atual das igrejas como instâncias de coesão social, amparo humano e educação moral.
É urgente reafirmar que a fé cristã — especialmente a evangélica — é parte do DNA do Ocidente e da identidade nacional brasileira. Não há civilização forte com espiritualidade perseguida.
Conclusão: a resistência cultural começa com a verdade
Se quisermos frear o colapso moral e social que ronda o Ocidente, é preciso enfrentar a guerra simbólica contra a fé. Desrespeitar ou apagar a religião evangélica é desestabilizar o tripé da sociedade: família, fé e liberdade.










